O mitômano cria fantasias e ele mesmo acredita nelas. Especialistas deverão examinar Paula Oliveira por esse aspecto O sujeito tinha uns 40 anos e estacionava o Jaguar perto da vaga onde eu parava meu Monza. Isso foi logo no começo dos anos 90; o edifício ainda tinha vários apartamentos desocupados e espaço à vontade nas garagens. Subíamos no mesmo elevador, geralmente vazio.
Papo vai, papo vem, ele mostrou de relance uma carteira com o brasão da República e contou que era procurador de justiça, além de sócio de conhecido dono de motéis. Seus pais, fazendeiros no Estado do Rio, viviam em Miguel Pereira, numa mansão de não sei quantos quartos.
Volta e meia, ele passava no coffee shop do prédio e tomava cerveja comigo e outros moradores que também conhecia de vista. Um dia, ao sentar-se conosco, abriu a maleta tipo 007, desceu a mão à cintura e tirou uma pistola Browning 9mm que logo guardou na pasta junto a um monte de documentos.
”Na minha profissão, é melhor prevenir” – disse. Ninguém discordou.
Nos fins de semana, o Jaguar sumia da garagem e os porteiros informavam que “o doutor foi visitar os pais dele”. A imagem dele era boa, do solteirão bem sucedido, que deixava de ir para a gandaia e visitava os velhos pais.
Se não viajasse, ele entrava nos churrascos da turma. Tomava umas no coffee shop, ia à sauna, à piscina. Várias vezes convidou para irmos a Miguel Pereira. Insistiu. Até que fomos.
A mansão dos velhos e acabados pais dele era um barraco de madeira, quarto/sala, cozinha e banheiro de no máximo 40 m², nos fundos da colônia de férias dos empregados de um banco carioca. Alguém pensa que ele ficou sem jeito com a nossa surpresa, nosso estarrecimento?
_ E aí, gente? Fica à vontade. Vocês querem tomar alguma coisa? Uma cerveja, um uisquinho?
O sujeito era vendedor de uma agência de automóveis usados. O dono era filho do tal cara dos motéis. As armas – ele apareceu com diversas – eram do dono da agência, que gostava de fazer o gênero garotão-bandido. A carteirinha de procurador de justiça era falsa, claro. Nem o apartamento era dele como ele garantia nas reuniões de condomínio. Era emprestado por uma amiga bem incauta.
“Mitômano” - fulminou outra vizinha. Essa, psicóloga, de verdade. Que aproveitou o acontecido para dar resumida mas excelente aula sobre mitomania. O mitômano cria suas fantasias e passa a acreditar nelas como se fossem a mais pura verdade. Inventa histórias fantásticas e fala de seus êxitos. Quer manter boa imagem, é narcisista e mente porque no fundo tem problema de auto-estima.
Não se deve dar corda, alimentar a criação do mitômano. É preciso levá-lo à realidade, embora ele seja manipulador e convincente. No fundo, sente frustrações, é egoísta, narcisista e não tem controle sobre seus impulsos e pode descambar para problemas mais graves (sexo, jogo, drogas).
Em certos casos, esse transtorno de personalidade, originado de forte sentimento de fracasso, pode provocar problemas com a lei, separações familiares e suicídios.
Em geral, a mitomania começa na infância. Manifesta-se como um tipo de insegurança frente aos colegas de escola. Mentir passa a ser artifício da criança para pertencer a determinado grupo. Os pais devem atentar para a frequência das mentiras. Principalmente para as do tipo utilitário (mentir visando conseguir algo), que em grau avançado costumam vir acompanhadas por agressividade, furto e piromania.
Não é fácil para mitômanos reconhecer sua própria condição, mas uma vez que se ande nessa direção é possível ajudar com terapias para descobrir o que acontece com eles. Em alguns casos, é preciso recorrer a medicamentos indicados por psiquiatra. Aos familiares, que muitas vezes dão o primeiro passo em direção aos médicos, cabe restabelecer a confiança, que em algum momento se quebrou.
Papo vai, papo vem, ele mostrou de relance uma carteira com o brasão da República e contou que era procurador de justiça, além de sócio de conhecido dono de motéis. Seus pais, fazendeiros no Estado do Rio, viviam em Miguel Pereira, numa mansão de não sei quantos quartos.
Volta e meia, ele passava no coffee shop do prédio e tomava cerveja comigo e outros moradores que também conhecia de vista. Um dia, ao sentar-se conosco, abriu a maleta tipo 007, desceu a mão à cintura e tirou uma pistola Browning 9mm que logo guardou na pasta junto a um monte de documentos.
”Na minha profissão, é melhor prevenir” – disse. Ninguém discordou.
Nos fins de semana, o Jaguar sumia da garagem e os porteiros informavam que “o doutor foi visitar os pais dele”. A imagem dele era boa, do solteirão bem sucedido, que deixava de ir para a gandaia e visitava os velhos pais.
Se não viajasse, ele entrava nos churrascos da turma. Tomava umas no coffee shop, ia à sauna, à piscina. Várias vezes convidou para irmos a Miguel Pereira. Insistiu. Até que fomos.
A mansão dos velhos e acabados pais dele era um barraco de madeira, quarto/sala, cozinha e banheiro de no máximo 40 m², nos fundos da colônia de férias dos empregados de um banco carioca. Alguém pensa que ele ficou sem jeito com a nossa surpresa, nosso estarrecimento?
_ E aí, gente? Fica à vontade. Vocês querem tomar alguma coisa? Uma cerveja, um uisquinho?
O sujeito era vendedor de uma agência de automóveis usados. O dono era filho do tal cara dos motéis. As armas – ele apareceu com diversas – eram do dono da agência, que gostava de fazer o gênero garotão-bandido. A carteirinha de procurador de justiça era falsa, claro. Nem o apartamento era dele como ele garantia nas reuniões de condomínio. Era emprestado por uma amiga bem incauta.
“Mitômano” - fulminou outra vizinha. Essa, psicóloga, de verdade. Que aproveitou o acontecido para dar resumida mas excelente aula sobre mitomania. O mitômano cria suas fantasias e passa a acreditar nelas como se fossem a mais pura verdade. Inventa histórias fantásticas e fala de seus êxitos. Quer manter boa imagem, é narcisista e mente porque no fundo tem problema de auto-estima.
Não se deve dar corda, alimentar a criação do mitômano. É preciso levá-lo à realidade, embora ele seja manipulador e convincente. No fundo, sente frustrações, é egoísta, narcisista e não tem controle sobre seus impulsos e pode descambar para problemas mais graves (sexo, jogo, drogas).
Em certos casos, esse transtorno de personalidade, originado de forte sentimento de fracasso, pode provocar problemas com a lei, separações familiares e suicídios.
Em geral, a mitomania começa na infância. Manifesta-se como um tipo de insegurança frente aos colegas de escola. Mentir passa a ser artifício da criança para pertencer a determinado grupo. Os pais devem atentar para a frequência das mentiras. Principalmente para as do tipo utilitário (mentir visando conseguir algo), que em grau avançado costumam vir acompanhadas por agressividade, furto e piromania.
Não é fácil para mitômanos reconhecer sua própria condição, mas uma vez que se ande nessa direção é possível ajudar com terapias para descobrir o que acontece com eles. Em alguns casos, é preciso recorrer a medicamentos indicados por psiquiatra. Aos familiares, que muitas vezes dão o primeiro passo em direção aos médicos, cabe restabelecer a confiança, que em algum momento se quebrou.
As terapias ajudam familiares a acreditar de novo na pessoa e a entender seu problema, de forma a converte-se num apoio durante o processo de recuperação. A quem vive com mentiroso compulsivo recomenda-se confrontá-lo e cortar-lhe o passo para evitar que a mitomania cresça como bola de neve.
A mitomania não é hereditária, se desenvolve. O especialista precisa diferenciar mentira de fabulação. Entre os cinco e seis anos e idade, as crianças inventam histórias sem separar verdades de mentiras. Logo, no entanto, estarão conscientes de que mentem e nesse momento entram em jogo os diferentes tipos de mentira.
O primeiro tipo é ligado à fantasia. A criança diz que existem monstros em seu quarto. Isso faz parte do processo natural de desenvolvimento. O segundo tipo é o das mentiras compensatórias. Refletem problemas emocionais, carência afetiva. A criança as usa quando lhe falta alguma coisa e ela compensa com a mentira. Um menino sem pai, por exemplo, inventa que foi passear com ele.
O terceiro tipo é o das mentiras utilitárias, voltadas a conseguir alguma coisa. Dividem-se em dois grupos: um que a criança usa para evitar castigo; outro que serve para escapar de responsabilidade: a criança transfere a culpa para outra.
Para evitar que a criança aprenda a mentir, seus pais devem impor valores, responsabilidade, integridade. Importante viver em ambiente de honestidade, com bons exemplos. De nada adianta ensinar a não mentir se é isso que os próprios pais fazem o tempo todo.
Quem convive com pessoas cuja idade cronológica é adulta mas tem mentalidade infantil precisa considerar a possibilidade de envolver-se em situações indesejáveis, chegando a processos administrativos, cíveis e até penais. Ao primeiro sinal de que estão incapacitados para obter resultados sozinhos, os pais devem procurar ajuda profissional qualificada. Mitomania tem cura.

Prezado Ruy,
ResponderExcluirSou professor de biologia do Márcio.
Estou postando um comentário nessa mensagem, mas quero lhe agradecer pelo excelente conteúdo de todo o seu blog. Excelente
Um abraço
Obrigado, Leonardo. Volte sempre.
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