VAI COMEÇAR O MALABARISMO
A imprensa alarmista passou meses tentando enganar o distinto público e desacreditar o governo, com olho nas eleições de 2010. A tática foi vender a idéia de que a crise mundial decorrente de fraudes bilionárias, especulação financeira desenfreada, maquiagem nos balanços de grandes corporações e investimentos maciços em duas guerras inúteis e criminosas já estava chegando ao Brasil. Com a crise aqui, o crédito ficaria mais difícil, cairia o consumo, o desemprego em massa fugiria ao controle e - ufa! - finalmente as pesquisas mostrariam a queda de popularidade da administração Lula.
Não foi bem isso que aconteceu. O Brasil recebeu, recebe e ainda vai receber respingos da tsunami, sim. Como grande exportador de commodities e matéria prima, acusa redução na balança comercial, o que é lógico por estarem os compradores entre os países mais afetados economicamente no momento. Só que, ao contrário desses países, o Brasil manteve aquecido seu mercado interno. Um mês por outro, as vendas continuam a crescer, embora mais lentamente. De repente, o inesperado: Lula e seu governo ampliam popularidade que era de 80.3% em dezembro para 84% em janeiro.
De repente, a pulga foi para trás da orelha. A Fenapro - Federação Nacional das Agências de Propaganda - fez levantamento junto aos sindicatos das agências em vários Estados e constatou que os efeitos da crise internacional “ainda não bateram forte na porta das agências espalhadas pelas diferentes regiões do País”. “Por enquanto, felizmente, há mais apreensão do que fatos concretos que apontem um cenário de retração no setor”, afirmou Ricardo Nabhan, presidente da Fenapro nesta segunda, 16. Fernando Brettas, presidente do Sinapro-DF, no entanto, tocou num nervo exposto ao ressaltar que ainda assim não se descarta a possibilidade de haver um encolhimento da verba publicitária governamental.
Se o governo e as empresas estatais, que no conjunto são os maiores anunciantes do país, reduzirem a publicidade para investir em setores em que a carência de recursos poderá agravar a crise inflada exatamente por quem depende dessa verba (mídia se mantém com venda em banca, assinaturas e publicidade), isso será recebido como sinal a outros grandes anunciantes. Num efeito bumerangue, a crise tão propalada sem fundamentos pela mídia seria dramática para ela mesma. Exemplo típico do tiro no próprio pé. E a mídia já sentiu isso.
A coluna da jornalista Miriam Leitão, publicada ontem, 17, no Globo, é sintomática. Título: Mesmo com a crise, balança comercial terá superávit Texto: “Na primeira quinzena de fevereiro houve resultado positivo na balança comercial, como comentamos aqui no blog ontem. Isso é muito bom porque o déficit de janeiro deu medo, inclusive no governo, que tentou adotar medidas protecionistas, com aumento de burocracia nas importações”.
“Mesmo com a crise, os economistas estão prevendo que o ano feche com superávit. Há previsões de US$ 10 bilhões e até de mais de US$ 20 bilhões. Isso vai depender do ritmo do comércio global. Então mesmo que fique negativo em alguns meses do ano, não é para assustar. A nossa vantagem é que somos exportadores também de alimentos. E eles são consumidos mesmo em tempos de crise”.
Nós já éramos exportadores de alimentos antes da crise internacional. E eles também já eram, continuaram e continuarão a ser consumidores. Só se ligou nessa vantagem agora, Dona Miriam? Em vez das cambalhotas feitas para alarmar a que eu me referi em post do dia 21 de janeiro, daqui em diante talvez as pessoas consigam até rir do malabarismo circense que essa mídia golpista terá de dar para não apavorar os anunciantes e perder faturamento. O negócio agora é garantir tanto o salário como o emprego.

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ResponderExcluirEu só queria receber R$ 1,oo por cada vez que a mídia alarmista começou as notícias mais estapafúrdias (até sobre carnaval) com a frase "Apesar da crise econômica...").
ResponderExcluirDaqui para a frente, tudo indica que essa situação adversativa mais começar a rarear.
Por acidente, suprimi o comentário do Truda, que dizia o seguinte:
ResponderExcluirNo artigo Mistério dos Juros, que publicou em seu blog hoje à tarde, d. Míriam reconhece que vem mentindo desde 2003. O artigo é sobre as altas taxas de spread praticadas no Brasil. No terceiro parágrafo, d. Míriam cobra:
"Os bancos prometeram que tudo seria diferente quando houvesse a Lei de Falências, ou quando os juros da Selic baixassem, ou quando os compulsórios caíssem. Tudo isso aconteceu."
Não é uma gracinha?