Berlusconi cria lei para escapar da justiçaTribunal de Milão condenou nesta terça, 17, o advogado britânico David Mills, acusado de receber propina de U$S 600 mil – cerca de RS 1 milhão 300 mil – do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. Condenado a quatro anos e meio de prisão, o advogado negou ter aceito o suborno e disse que pretende recorrer da sentença.
A promotoria alegou que o premiê pagou a Mills para que ele não revelasse detalhes de companhias estrangeiras em dois processos anteriores, em 1997 e 1998. Nesses julgamentos, Mills depôs como perito judicial. Primeiro, ele admitiu ter recebido dinheiro de Berlusconi "como reconhecimento" pelos testemunhos prestados, mas depois disse que o dinheiro tinha sido dado por outra pessoa.
O caso ganhou destaque na imprensa inglesa, já que Mills foi casado com a ex-ministra da Cultura britânica, Tessa Jowell, hoje a principal autoridade encarregada da organização da Olimpíada de 2012, em Londres. Os promotores alegaram que Mills usou o dinheiro para pagar hipoteca que tinha em conjunto com Tessa Jowell. Mas ela foi considerada inocente após investigação realizada no Parlamento britânico.
Berlusconi nega que tenha pago suborno ao advogado e depois de assumir o poder pela terceira vez ele propôs lei que garante imunidade legal às quatro autoridades máximas da Itália. Ele é uma delas, claro. Mills prestava consultoria ao primeiro-ministro em questões ligadas a paraísos fiscais estrangeiros. Bastante polêmica, a emenda foi aprovada nas duas câmaras do Parlamento italiano.
Partidários de Berlusconi alegaram que tal lei era necessária para que as autoridades de Estado se concentrassem em seus trabalhos sem qualquer distração jurídica. Quando deixar o cargo, Berlusconi poderá ser julgado, se os crimes a ele imputados ainda não tiverem prescrito de acordo com as leis italianas. Em liberdade e no poder, veja aqui e aqui o que faz o primeiro-ministro italiano.

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