sábado, 14 de fevereiro de 2009

ESPIÕES E SABOTADORES AMEAÇAM O PROGRAMA ESPACIAL BRASILEIRO

Equipamento espião monitora Centro de Lançamento

Existem fortes indícios de espionagem estrangeira em torno da atividade espacial brasileira, desenvolvida por técnicos nacionais e ucranianos no Centro de Lançamentos de Alcântara - CLA. De acordo com relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência – Abin, equipamentos de telemetria semelhantes a boias foram encontrados em praias próximas à base, em outubro do ano passado. Foi a terceira apreensão de dispositivos próprios para rastreamento na área.

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O equipamento capta, envia e processa dados à distância. Instalado em boias serve para localizar cardumes em alto-mar. Só que o CLA está longe das rotas de pesca, não tem indústria pesqueira por perto e os barcos que usam aparelhos semelhantes operam em pontos muito distantes dali. Além disso, as boias permanecem onde são colocadas. O estranho é que elas só são encontradas em praias próximas ao CLA. Nos casos de espionagem, é comum a adaptação de aparelhos usados em outras finalidades para ocultar a ação clandestina.

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O equipamento pode interferir nos sinais de navegação dos foguetes se for programado para isso. Não se descartou a ocorrência de interferência nas comunicações entre foguetes e a base. As boias são acionadas por controle remoto via satélite e têm capacidade de enviar, transmitir e medir frequência, além de disporem de espaço suficiente para alojar mais dispositivos. Estão equipadas com bateria de longa duração e painel solar.

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Em caso de interferência na telemetria dos foguetes, seriam prejudicados não apenas os lançamentos a partir de Alcântara, mas também se colocaria em risco o rastreamento de veículos espaciais estrangeiros - serviço prestado pelos centros de lançamento de Alcântara, no Maranhão, e Barreira do Inferno, no Rio Grande do Norte. Os aparelhos foram produzidos na Espanha e no Japão. O primeiro transmite dados via satélite; o outro, por ondas VHF/UHF. Até hoje, nenhuma empresa no Brasil ou no exterior reclamou os equipamentos.

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Os Estados Unidos sempre demonstraram contrariedade com o programa espacial brasileiro quanto a lançadores de satélites e bases de lançamento. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a base de Alcântara quase foi entregue ao controle daquele país e, de acordo com o contrato original, seria praticamente transformada em território estrangeiro para os técnicos brasileiros, cujo acesso sofreria todo tipo de obstáculos, no sentido de ser o mais restrito possível.

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A atividade envolve investimentos de bilhões de dólares e interessa, tanto aos EUA como a outros países estruturados para lançamentos, que o mercado continue restrito como é hoje. As comunicações brasileiras, sejam civis, diplomáticas ou militares, dependem de satélites lançados e controlados por empresas estrangeiras. Na maioria elas têm vínculos estatais e prestam serviços ao Brasil, mediante pagamentos extremamente caros.

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Além das “boias de pesca”, a Abin levanta suspeitas também sobre a presença de estrangeiros na região do CLA, área pobre de pouca atividade, sem infraestrutura turística. Em 2006, o Grupo de Trabalho da Amazônia, coordenado pela Abin, produziu relatório sobre o tema. Segundo o documento, havia 116 estrangeiros dia 15 de maio daquele ano em Alcântara, quando membros do GTA visitaram a base de lançamentos.

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"Não foi possível saber quais as atividades que desenvolviam, tendo em vista que não haveria atividade no Centro de Lançamentos. Os altos índices de exclusão social presentes na cidade de Alcântara deixam a comunidade ali residente exposta e fragilizada a tentativas de aliciamento e recrutamento por parte de ONGs e agentes a serviço de países que muito teriam a perder com os sucessos dos lançamentos da Base de Alcântara", diz o documento.

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A Abin ainda não conseguiu esclarecer também se os aparelhos instalados nas boias estavam em operação durante lançamentos feitos da base de Alcântara. Isso seria relevante na comprovação de sabotagens. Algumas ocorrências, como o “acidente” que causou a morte de 21 pessoas dia 22 de agosto de 2003, só serão evitadas com adoção de medidas mais severas de segurança.

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No dia 19 de julho de 2007, entre duas apreensões (2006 e 2008) dos equipamentos, o CLA lançou o foguete VSB-30. O teste foi parcialmente bem-sucedido. O foguete percorreu o trajeto estipulado e o chamado módulo útil pousou no mar. O equipamento, no entanto, não foi encontrado como previsto. Na época, o CLA informou que, "durante a queda, houve oscilações no sinal de telemetria, o que impediu o resgate do módulo após o lançamento".


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