quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

'MORALISTA', ROBERTO FREIRE ACEITA 'BOQUINHA' EM SP

Freire tem convite para se filiar ao PSDB

_ É o nosso Gorbachev!
Identificou sem vacilar o veterano jornalista Theodoro Barros, que acompanha política desde os tempos da extinta Última Hora, do Rio, onde trabalhou e teve brigas homéricas com o proprietário Samuel Wainer. Naqueles idos de 50, comecinho dos anos 60, ainda se dizia homérico quando se queria enfatizar grandiosidade. Pois o Theodoro me apontava nesta quinta-feira, dia 5, o Mikhail Gorbachev brasileiro: ninguém mais, ninguém menos, que o ex-paladino da moralidade, Roberto Freire.
“Presidente nacional do Partido Popular Socialista (PPS) e atualmente primeiro suplente de senador pelo estado de Pernambuco, está fixando domicílio em São Paulo, de onde conduz o debate suprapartidário sobre os rumos da esquerda democrática e um novo projeto socioeconômico e político para o Brasil.” Pelo menos, é o que informa a página do partido na internet a respeito do “Conhecedor profundo dos problemas brasileiros e observador crítico e atualizado dos fatos mundiais contemporâneos”.
De acordo com denúncia de Fabio Leite, publicada pelo Jornal da Tarde em 26 de janeiro, além de artigo no blog de José Dirceu e de comentário no de Ricardo Noblat, o presidente do ex-PCB recebe da prefeitura de São Paulo jetons de R$ 12 mil mensais de dois conselhos municipais – Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e da SP-Turismo. A "boquinha" é a chamada "pena de aluguel", implantada em 2005 na gestão de José Serra, e beneficia no total 58 pessoas, segundo o jornalista Fabio Leite.
Reeleito para a prefeitura paulistana, “o demo Gilberto Kassab, pau-mandado do tucano, manteve o jetom do chefão do PPS”, assinala o jornalista Altamiro Borges, secretário de Comunicação do Comitê Central do PCdoB. O texto do Jornal da Tarde afirma que essa ''bondade administrativa'' visa acolher aliados e engordar os salários dos secretários municipais. Embora grave, a denúncia não teve destaque nos “jornalões”, comprometidos com a volta do bloco liberal-conservador ao poder.
O ex-deputado federal por Pernambuco e atual presidente do PPS tem sido bastante prestigiado por tucanos e demos. Desde o final dos anos 80, com o término do bloco soviético, ele acelerou rumo à direita e virou defensor do capitalismo. Detonou o PCB e se tornou líder do governo FHC. Apoiou o projeto de privatização e de desmonte do Estado. No governo Lula, ficou na oposição e aparentou assumir posições éticas. Chegou a apoiar o impeachment do presidente, acusando-o de ligação com o mensalão.
Na visão de Altamiro Borges, “essa conversão direitista desidratou o PPS, partido que Roberto Freire comanda como velho coronel. Nas eleições de 2008, esse agrupamento híbrido sofreu as maiores baixas, perdendo 188 prefeituras e milhares de vereadores. Diante do baque, Freire passou a defender a extinção do PPS e seu ingresso no PSDB, vestindo de vez a roupagem tucana. Em novembro passado, José Serra fez o convite formal para a adesão, num jantar em Brasília oferecido à cúpula ‘socialista’."
Ficou acertado, segundo o secretário de Comunicação do PCdoB, que os dois partidos deverão se fundir até o final do primeiro semestre deste ano. ''O PPS conversa há muito tempo com o PSDB. Precisamos montar um agrupamento político forte para a era pós-Lula'', relatou, na ocasião, o deputado Nelson Proença, seguidor de Freire. Como disse com toda a razão Theodoro Barros:
_ Cada país tem o Gorbachev que merece!

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