terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Irã lança satélite próprio e preocupa países invasores

TV estatal mostrou lançamento

O Irã lançou hoje, 3 de fevereiro, o primeiro satélite de fabricação e tecnologia próprias. Conduzido por foguete Safir-2, o satélite Omid (Esperança) é equipado para pesquisas e telecomunicações, mas amplia temores dos EUA, Israel e demais governos hegemônicos, acostumados a impor seus interesses a países da região por meio de invasões e chacinas.

Como de hábito, o Irã reafirma propósitos pacíficos e alega que mais uma vez é julgado injustamente, pois usa tecnologia existente em vários países. Em agosto de 2008, o país noticiou o lançamento de foguete capaz de levar o primeiro satélite nacional. Os EUA taxaram aquela experiência de “ato infeliz". O lançamento desta terça serviu também à inauguração de novo centro espacial, em região desértica não identificada.

O lançamento do Omid já era previsto e estava programado como um dos eventos que seguirão até 10 de fevereiro, em comemoração aos 30 anos da Revolução Islâmica. O satélite iraniano inquieta países colonialistas ocidentais e aliados como Israel, que receiam o uso da tecnologia na fabricação de mísseis de longo alcance, até mesmo com ogivas nucleares.

Seria o típico exemplo de ‘‘consciência pesada” se algum dos causadores das guerras e massacres, passados ou presentes, tivesse consciência e não apenas interesses. Há quase 70 anos o Irã sofre conseqüências da ambição criminosa das chamadas grandes potências. De olho no petróleo iraniano, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o país em 1941.

O mundo estava em guerra. Os aliados queriam assegurar para si mesmos os abundantes recursos petrolíferos iranianos. Forçaram o então xá da Pérsia, Reza Khan, a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, visto por eles como governante mais submisso e favorável. A Segunda Guerra Mundial acabou, mas a influência estrangeira seguia forte.

O líder nacionalista Mohammed Mossadegh, que já tinha sido ministro das Finanças, ministro dos Negócios Estrangeiros e foi eleito deputado em 1943, passou a combater concessão dada à União Soviética para exploração de petróleo no Norte do país. Ele defendia a nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company que, claro, era muito mais inglesa que iraniana.

Em face da enorme popularidade de Mossadegh, o xá teve de acatar a eleição dele em 1951 como primeiro-ministro. Em 1º de maio do mesmo ano o parlamento aprovou a nacionalização do petróleo e a Anglo-Iranian foi extinta. O líder Mossadegh, símbolo da luta anti-imperialista, ganhou a capa da revista Time e o título de "Homem do ano". Seu fim começava aí.

Em retaliação, os britânicos orquestraram o embargo ao petróleo iraniano nos mercados internacionais para sufocar economicamente o país. Os Estados Unidos não apoiaram o boicote por acharem que ele poderia favorecer aproximação com a União Soviética. Mossadegh reivindicava mais poderes como primeiro-ministro e isso criou atritos com o xá.

Os britânicos passaram a urdir plano para afastar Mossadegh do poder. Envolveram os Estados Unidos na conspiração, alegando suposto desejo da União Soviética em controlar o Irã. Em agosto de 53, instigado pela CIA, o xá Reza Pahlavi demitiu Mossadegh. Ocorreram tumultos populares em apoio ao primeiro-ministro e o xá fugiu para a Itália.

Por mais quatro dias, Mossadegh ficou como primeiro ministro. Mas em 19 de agosto um golpe de estado instalou no cargo o general Fazlollah Zahedi. Mosaddeq foi detido e logo depois Reza Pahlavi voltou de Roma. O ex-primeiro ministro cumpriu três anos de prisão. Depois disso, passou o resto da vida detido em casa até morrer de câncer dia 5 de março de 67.

Pahlavi começou o que ficou conhecido como "Revolução Branca". Orientado pelos EUA e Grã-Bretanha, distribuiu terras entre camponeses, colocou as florestas e a água sob controle do governo, deu mais liberdade às mulheres, instituiu participação nos lucros para os trabalhadores, tudo para ganhar popularidade e enfraquecer a lembrança de Mohammed Mossadegh.

Como contrapartida, em 1957, instituiu a censura e criou a Savak, polícia secreta voltada a perseguir dissidentes e a manter sob vigilância jornalistas, acadêmicos, intelectuais em geral, além de universidades, sindicatos e organizações camponesas. Organizada pela CIA (dos EUA) e pelo Mossad (Israel), a Savak tinha agentes até no exterior e ficou famosa pela crueldade das torturas que empregava.

Em 1979, o ditador Reza Pahlavi, apoiado pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha, foi deposto e novamente fugiu do país, em virtude de movimento liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. Islamistas, comunistas e liberais se uniram na revolução de 1979.

O xá seguiu para os EUA. Dali, foi para o Egito, onde morreu de câncer em 27 de Julho de 1980, com 60 anos. No mesmo ano, começa a guerra entre Irã e Iraque, estimulada por governos e interesses estrangeiros. O
conflito dura oito anos e termina sem vencedor declarado. Mas o Irã, atacado com armas químicas fornecidas pelos EUA, passa a figurar como o grande vilão do Oriente Médio, culpado por tudo de ruim que acontece na região.

2 comentários:

  1. Uauuuuuu! Os renegados conseguiram construir um foguete e colocar um satélite em órbita? Coisa que a Aeronáutica vem tentando há anos e só conseguiu que explodisse em terra e agora quer desalojar quilombo para instalar "base ucraniana" para ver se consegue? Palmas para a turma do Khomeini, que Alá esteja convosco.

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