segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Krugman, prêmio Nobel de economia, quer punição para Bush


Se o país acusado de acobertar Osama bin Laden fosse a China, a Rússia ou mesmo a Coreia do Norte, George W. Bush teria coragem de invadi-lo como fez com o arrasado Afeganistão? E se os EUA não estivessem de olho no petróleo iraquiano, Bush arranjaria pretextos e passaria sobre a desaprovação da ONU para pulverizar o Iraque?

Foi mesmo indispensável promulgar a “Lei Patriota”, cerceando os direitos individuais, inclusive com a eliminação do habeas corpus e permissão para implantação de escutas clandestinas e uso de tortura em prisioneiros sem culpa formalizada? E as manobras eleitorais? Ou as contratações bilionárias sem concorrência?

Como principal responsável pela deterioração mundial da imagem dos Estados Unidos, Bush merece ir para casa descansar impunemente? Como ficam as centenas de milhares de mortes que provocou? E o tirambaço econômico que ajudou a perpetrar, concedendo plenos poderes aos especuladores? Vai tudo para debaixo do tapete?

Em artigo publicado no New York Times, Paul Krugman, Nobel de economia de 2008, focaliza determinada afirmação de Barack Obama: “Eu não acho que haja alguém acima da lei, mas precisamos olhar para frente ao invés de para trás”. Na opinião do articulista, a administração Bush tem de ser matéria de inquérito. Indispensável.

“Se não houver investigação sobre o que aconteceu ao longo dos anos Bush – e quase todo mundo entendeu a declaração de Obama como sinal de que isso não acontecerá - aqueles que detêm o poder de fato estarão acima da lei, porque não terão de enfrentar quaisquer consequências caso decidam abusar dele” enfatiza Krugman.

_ Não se trata apenas de tortura e escutas ilegais, cujos perpetradores alegam, ainda que de modo muito implausível, terem agido como patriotas. Os abusos do governo Bush se estenderam da política ambiental ao direito de voto – acrescenta ele no artigo.

No Departamento da Justiça, os funcionários apontados para seus cargos por políticos eleitos reservaram outros postos, não políticos, a "americanos bem pensantes", e existem fortes indícios de que esses funcionários empregaram suas posições para solapar a proteção ao direito de voto das minorias.

_ Durante a ocupação do Iraque, os candidatos aos postos eram julgados com base em suas posições políticas, em sua lealdade pessoal ao presidente e em sua posição sobre o aborto.

“Falando no Iraque, não devemos esquecer do fracassado esforço de reconstrução do país: o governo Bush entregou bilhões de dólares a empresas bem relacionadas politicamente, em contratos sem concorrência, e essas companhias não realizaram o trabalho.”

­_ Há muito, muito mais. Ao menos seis grandes agências do governo passaram por escândalos nos últimos oito anos – na maioria dos casos, jamais investigados. E temos também o maior de todos os escândalos: alguém tem dúvidas de que o governo Bush deliberadamente iludiu o país para justificar a invasão do Iraque?

“Por que, então, não deveria haver investigação oficial sobre os abusos dos anos Bush? Uma resposta usual é que buscar a verdade exacerbaria o antagonismo entre os partidos. Mas, se partidarismo político é algo tão horrível, o governo Bush não deveria ser punido por politizar todos os aspectos do governo?”

_ Há quem diga que não é preciso dedicar atenção aos abusos passados porque eles não serão repetidos. Mas nenhuma figura importante do governo Bush expressou arrependimento por violar a lei. O que leva alguém a pensar que eles ou seus herdeiros políticos não agirão da mesma forma, caso tenham nova oportunidade?

“Embora esquecer e perdoar provavelmente seja uma boa idéia política em curto prazo, na semana que vem (amanhã, dia 20) Obama estará jurando preservar, proteger e defender a Constituição dos EUA. Não se trata de juramento a ser honrado só quando for conveniente.”

_ E, para proteger e defender a Constituição, um presidente precisa fazer mais do que simplesmente obedecer a ela. Precisa responsabilizar aqueles que a tenham violado.

Aqui, em inglês, outras acusações contra Bush.

2 comentários:

  1. Na segunda, o seriado Law & Order teve o Patriot Act como subtexto (seriado inteligente tb tem isso0. Além de opor corretores de Wall Street a operários da construção civil em luta de gangues, termina com um repórter perguntando o promotor geral McCoy:" O sr. vai colaborar com o governo Obama?". Me-mo-rá-vel!

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  2. E o que foi que o tal McCoy (parecido com McCain, né?) respondeu ao repórter?

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