Foram oito anos de caos e desgoverno Bush. Esse período, marcado por massacres, corrupção, arrogância, prepotência, covardia, paranóia e incompetência ficará da memória de centenas de milhares, milhões de pessoas, como um dos piores e mais cruéis de todos os tempos.
Barack Obama venceu as eleições por representar a possibilidade – ou esperança – de interromper a escalada capaz de causar a deterioração de toda a humanidade. E a cada pronunciamento dele ou de algum de seus secretários já se observa mudança de atitude.
Barack Obama venceu as eleições por representar a possibilidade – ou esperança – de interromper a escalada capaz de causar a deterioração de toda a humanidade. E a cada pronunciamento dele ou de algum de seus secretários já se observa mudança de atitude.
De tom e de ritmo.
Sem tempo a perder
Muita coisa para consertar e não há tempo a perder. Na quinta-feira, 22, apenas dois dias depois de empossado, o novo presidente dos Estados Unidos ordenou o fechamento da prisão de Guantânamo. Suspendeu os julgamentos já iniciados ali. Proibiu interrogatórios violentos de suspeitos de terrorismo. "Vamos agir com eficiência, de forma compatível com nossos valores e nossos ideais", afirmou.
Com eficiência e rapidez, poderia ter dito Obama. Seguidamente, ele vem atacando os problemas de maior urgência, como a retirada das tropas invasoras do Iraque no prazo máximo de 16 meses e a gradativa devolução da administração do Afeganistão a autoridades do próprio país. Em paralelo, consegue junto à Câmara dos Representantes a liberação de U$ 819 bilhões para debelar a crise econômica, criar quatro milhões de empregos e ampliar a produção.
Nesta segunda, dia 26, Obama começou a neutralizar as políticas climáticas de Bush, abrindo caminho para leis que forcem a indústria automobilística a fabricar veículos mais econômicos e menos poluentes. Instruiu o departamento de Transporte a impor até março novos padrões de eficiência e deu à indústria automotiva prazo de 18 meses para atingir esses objetivos.
“É o momento de os EUA exercerem liderança na mudança climática e reduzirem a dependência que têm do petróleo estrangeiro”, disse ele, recomendando à Agência de Proteção Ambiental dos EUA para reconsiderar a solicitação da Califórnia (negada por George Bush), que permitirá ao estado fixar limites mais severos às emissões de dióxido de carbono, tidas como uma das causas do aquecimento global.
O novo presidente também está atento ao uso de combustíveis alternativos. Para ele, depender do petróleo estrangeiro é uma ameaça à segurança nacional do país. Daí, os EUA terão de ser mais eficientes em geração de energia. Ao anunciar o novo enfoque para energia e mudanças climáticas, Barack Obama ressaltou, no entanto, que infelizmente não poderia prometer muita rapidez no conserto do que está errado.
Cautela
O secretário da Defesa do governo anterior, Robert Gates, foi mantido no cargo pelo novo presidente. Numa demonstração de que pode dançar conforme a música, ele adotou atitude prudente e compatível com a atual administração ao admitir nesta terça-feira, 27, que o conflito instalado no Afeganistão terá duração maior que a prevista e os objetivos atingidos serão limitados. Por isso, devem ser "modestos" e "realistas".
"Esse vai ser um trabalho longo e fatigante. Na minha opinião, precisamos ter muito cuidado com a natureza das metas que estabelecermos para nós próprios. Se fixarmos o objetivo de criar ali algum tipo de Valhalla, vamos perder. Ninguém dispõe de tanto tempo, paciência e dinheiro", afirmou. Na mitologia escandinava, Velhalla era o paraíso destinado aos guerreiros vikings mortos, com honra, em batalha.
Gates nem precisaria recorrer à mitologia nórdica. Bastaria lembrar a tentativa frustrada da então União Soviética, que por mais de dez anos tentou dominar o país e não conseguiu. Bem verdade que os afegãos dispunham da ajuda dos EUA, tanto em treinamento de tropas (incluindo Osama bin Laden e seus talibãs) como no fornecimento de armas bastante sofisticadas (mísseis Stinger). Armas e pessoas que imediatamente se voltaram contra os invasores.
Nos volteios de terça-feira, Gates deu um passo para trás e mostrou as unhas ao Irã. Afirmou que existe interferência iraniana no Afeganistão, gerando aumento do fluxo de armas e componentes de munições letais. A seu ver, o país - que também foi acusado de apoiar a insurgência iraquiana - tem o duplo objetivo de obter “benefícios econômicos e de relações diplomáticas com Cabul, além de ampliar os gastos” da coligação invasora.
O secretário de Defesa pretende enviar de 10 mil a 12 mil soldados como reforço aos 36 mil já envolvidos no Afeganistão. Mesmo com o adicional, ele se confessa “profundamente cético” quanto aos resultados. Acha que soldados e policiais afegãos devem assumir a liderança, para que o povo afegão não se volte todo contra as forças dos EUA, como fez com as tropas estrangeiras ao longo da história.
"Nosso maior desafio agora é o Afeganistão”, disse Gates em seu primeiro discurso no Congresso, como chefe do Pentágono na administração Obama. "Minha preocupação é que os afegãos nos vejam como parte do seu problema e não parte de sua solução. Se isso acontecer, nós estamos perdidos".
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Será que ninguém ainda contou isso aos ex-amigos, tão ajudados na luta contra a extinta URSS?

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